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Rádio rende votos para oportunistas
O mesmo jornal baiano que denuncia o número de deputados em exercício de mandato que possuem emissoras traz outra interessantíssima matéria, assinada por Katherine Funk e, pasmem, divulgada também no site da Agert. Leia e confira o quanto são usados os veículos para o retorno em forma de votos e como há caras–de-pau que afirmam que não têm retorno comercial e, ao mesmo tempo não de desfazem das emissoras de jeito
nenhum. “Rádio no interior só dá duas alegrias: uma no dia que monta e
outra no dia que vende. O custo de manutenção delas é muito superior
ao ganho. Eu boto dinheiro todo mês para manter", desabafa o deputado federal José Rocha (PFL-BA), que se diz "doido para vender" suas rádios
em Santa Maria da Vitória. Como
ele, a maior parte dos políticos que são donos de rádios no interior
reclamam do parco retorno comercial. Mas poucos querem abrir mão do que dizem ser um negócio ruim. O
retorno, afinal, vem de outra forma: votos para si e amigos nas próximas eleições. E a manutenção
de uma opinião pública favorável na comunidade. "Ajudou a
manter meu nome na região. Por dinheiro nenhum me desfaço dela", conta o deputado estadual Jurandy Cunha Oliveira (PRTB), sobre a rádio AM que tem em Ipirá. "Não vou dizer que me elegeu, mas ajudou, sim", diz, com uma sinceridade rara entre os políticos ouvidos para esta reportagem. Outro deputado estadual foi sincero, mas pediu sigilo do nome. "É claro que ter uma rádio no interior amplia nossa presença política.
Só de não falar mal da gente já ajuda a manter a imagem", disse, emendando em seguida, entre risos: "É claro que você não vai dizer que fui eu quem disse isso". Mesmo aqueles que não têm programa nem interferem na política editorial da empresa encontram uma forma de usá-la para
divulgar o próprio nome. O vice-prefeito de Jaraguari, Alberto José Nunes de Sá, por exemplo, grava mensagens de datas comemorativas (Natal, Dia das Mães etc). Segundo ele, sua rádio, a Jaraguari FM, abrange "uns 400 mil eleitores" em 20 municípios. SUCESSO – Há quem tenha encontrado na rádio de interior
um bom negócio. O exemplo mais forte é Nobelino Dourado Filho, deputado estadual na década de 70. Dono de duas rádios em Irecê, lembra que "pegou" as emissoras "com ajuda de ACM, que na época era governador". "Eu era deputado e achei que era importante levar informação para o interior", conta. Uma das emissoras, a FM Caraíbas, é a 34ªmais acessada via internet do país, segundo o site comercial Radios.com.br. Orgulhoso do resultado, Nobelino afirma que a rádio transmite notícias da região, fornece preços de insumos agrícolas e meteorologia. O destaque em negrito foi empregado por nossa editoria e não se encontra no original.
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