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Negros ganham metade de não negros, confirma DIEESE
Ontem véspera de mais um 20 de novembro – Dia Nacional da
Consciência Negra -, uma pesquisa realizada pela Fundação Seade e
pelo DIEESE revelou que, em S. Paulo – a maior cidade da América
Latina e com maior população negra fora da África – um trabalhador
negro (preto e pardo) ganha apenas cerca da metade do que o não
negro (branco e amarelo e que quanto maior o nível escolar maior a
disparidade).
A pesquisa bota por terra o mito de que o acesso à Educação, por si
só, seria suficiente para reverter e neutralizar os efeitos do
racismo. Ao contrário: quanto maior a escolaridade maior o abismo.
O rendimento médio de um negro, que não concluiu o ensino
fundamental é de R$ 3,44 por hora e o do não negro R4,10 – diferença
de 19,2%. No caso de ter concluído a universidade as diferenças ao
invés de diminuir aumentam: um negro recebe R$ 13,86 por hora e não
negro R$ 19,49 – uma diferença de 40%, em média. A pesquisa foi
feita em 2007, porém, os valores tiveram correção monetária até
julho deste ano.
Desemprego
A desvantagem também revela a desigualdade em relação ao desemprego,
apesar de alguma melhora. Em 1.999, a porcentagem de negros
desempregados era de 24,3% contra 16,8% dos não negros. No ano
passado, as taxas estavam em 17,6% e 13,3%. Segundo o DIEESE a
tendência é semelhante no resto do país. “O crescimento da economia
do país desde 2004 criou vagas para os negros. Algumas diferenças,
entretanto, não se desfazem ao longo do tempo”, afirmou Patrícia
Lino Costa, coordenadora da pesquisa.
Ela acrescentou que o fator mais grave revelado pela pesquisa foi o
aumento da distância entre negros e não negros com educação
superior, o que demonstra que o acesso a níveis superiores de
educação, não reduz a desigualdade, ao contrário: um negro que
consegue concluir uma faculdade no Brasil, acaba tendo na
discriminação racial o pior obstáculo, pois uma vez, contratado por
uma empresa não consegue galgar posições e subir na carreira
tendendo a ficar sempre com renda inferior aos dos bancos que sobem
na hierarquia.
“Existe um perfil de trabalhador que o mercado recebe melhor: homem
branco, entre 25 e 39 anos. Ou seja, negros são discriminados,
mulheres, homens muito novos ou mais velhos”, concluiu a
coordenadora da Pesquisa. |