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Rede TV! e TV Bandeirantes não comparecem à audiência pública sobre caso Eloá

A audiência pública realizada ontem, que discutiu a cobertura da mídia no caso Eloá, não contou com a participação da Rede TV! e da TV Bandeirantes. Estas emissoras mais a Record e a Globo fizeram entrevistas com Lindemberg Alves e foram acusadas pela polícia de atrapalharem as negociações e influenciar no desfecho do caso. A iniciativa partiu da Comissão de Direitos do Consumidor. Na tarde desta terça, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) apresentou vídeos que mostram a interferência da mídia nas negociações.

Participaram ainda da audiência mais sete parlamentares, o promotor de Justiça de Santo André Augusto Rossini, o pesquisador sênior do núcleo de mídia da Universidade de Brasília (UNB) Venício Arthur de Lima, a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Maria Luiza Oliveira, o representante da TV Globo Evandro Guimarães e o representante da TV Record Márcio Novaes.

O promotor de Justiça de Santo André disse, em sua exposição, que demorou duas horas para poder falar com Lindemberg porque ele estaria negociando com emissoras de TV. “Fui chamado lá por exigência do próprio Lindemberg, que queria alguém ligado à Justiça e aos direitos humanos para não sofrer retaliações, e ele só acreditou quem eu era eu quando dei uma carteirada via TV”, acrescentou.

Segundo Ivan Valente, a TV Globo admitiu que talvez tenha cometido um erro ao fazer a entrevista com Lindemberg. A TV Record disse que cometeu “excessos” mas que, em nenhum momento, fizeram um mau jornalismo. Disse ainda que os parlamentares não poderiam cometer infrações à liberdade de imprensa, ao questionarem a qualidade da apuração da TV no caso.

O deputado frisou que as TVs não se propuseram a debater a qualidade de sua cobertura sobre o caso Eloá. “Este debate só foi transmitido pela TV Câmara e TV Brasil, por que as emissoras não colocam isso aqui na programação?”, disse Valente.

O parlamentar do PSOL sugeriu três ações para melhorar a qualidade da TV no Brasil: o controle social, uma alteração no processo de renovação de concessões e ainda a criação de uma ouvidoria, dentro das emissoras, para fazer a ponte entre o público e as TVs.

O pesquisador sênior do núcleo de mídia da UNB defendeu um maior controle social da mídia. “O conteúdo da violência (na mídia) é cada vez maior pela ausência do controle do conteúdo da programação”, disse.

As emissoras Band e Rede TV! Ainda não justificaram suas ausências à audiência pública da Câmara dos Deputados.