PONTO DE VISTA:
A Fenaj e suas concepções oportunistas
Antônio Edisson Peres
Há
bastante tempo vemos alguns atos que não condizem com a concepção de
trabalhadores e, por mais que tenhamos dito que somos contra o
corporativismo, mentimos. Mentimos, unicamente na condição de que
queremos preservar nossas categorias.
Uma das
federações mais corporativistas e oportunistas que conhecemos chama-se
Fenaj, Federação Nacional dos Jornalistas. Esta Federação realizou em
2004 um congresso da categoria em que passou uma tese de que as funções
de locutor-apresentador, produtor-executivo, editor de vídeo-tape e
editor de imagens deveriam estar na lei dos jornalistas. Apresentar uma
tese é fácil, o problema é que estas funções estão inseridas na lei
6615, a lei dos radialistas, e não é de agora, pertencem a nossa
categoria desde 1978.
Se fossem
democráticos deveriam ter chamado os trabalhadores em rádio e televisão
para uma franca discussão e diálogo, tendo em vista serem os radialistas
os profissionais atingidos por esta artimanha golpista. No entanto não
fomos convidados à discussão e ainda por cima, a Fenaj encaminhou um
projeto para o Congresso, para que estas nossas funções passassem para a
lei dos jornalistas. Puro oportunismo de alguns membros dessa federação.
O autor do
projeto, Pastor Amarildo (PSC-TO), em entrevista ao site Portal
Imprensa, em 19 de julho, ao jornalista James Cimino, deixa claro que
sequer sabia o que era a Fenaj. Vale lembrar que este mesmo deputado é
um dos envolvidos na máfia das sanguessugas e que, graças ao bom senso
dos eleitores, não se elegeu no último pleito. Por que a Fenaj procurou
um deputado que não tem grande trabalho no Congresso?
Quando
este famigerado Projeto de Lei passou pelo Congresso e pelo Senado,
coincidiu com o período em que todos nós nos deparávamos e nos
envolvíamos com a Copa do Mundo de Futebol e que, tanto deputados quanto
senadores não iam a Brasília. Ao chegar nas mãos do Presidente Lula para
ser sancionado ou vetado, a Fitert - a Federação dos Radialistas - fez
todo o esforço para que o presidente se posicionasse contra esse
projeto. Prevaleceu o bom senso e ele foi integralmente vetado.
O pedido
do Ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho para que ambas federações
se reunissem em um grupo de trabalho que levasse a um acordo foi
ignorado pela Fenaj. Não queriam mais uma vez ouvir a Fitert, alegando
que o problema era dos jornalistas, desprezando a categoria dos
radialistas, diretamente afetada pelo PL. Depois de algumas conversas
aceitaram que a CUT intermediasse as reuniões do GT e, até hoje se
desenvolvem reuniões na busca de uma solução.
Nós
radialistas não aceitamos, em hipótese alguma, perder funções que estão
na Lei 6.615. Esta prática de retirar direitos que é adotada pelos
patrões, nós conhecemos muito bem e a renegamos e a combatemos em defesa
dos trabalhadores. |